Mensagem de Natal do Bispo da Guarda.
"Do Presépio de Belém vêm-no indicações para definirmos bem o modelo de vida em sociedade que as novas circunstâncias exigem." É esta, em suma, a grande mensagem deixada pelo Bispo da Guarda, na última sexta-feira, 16, durante a apresentação da mensagem de Natal, que decorreu no Paço Episcopal da Guarda.
Numa mensagem de apelo à esperança, D.Manuel Felício lembrou que se volta a celebrar a data do nascimento de Jesus "em situação de crise, portanto com sofrimento acrescido para muitas pessoas e famílias", num contexto em que diminuem os ordenados, cresce o número dos que perdem emprego, aumentam os impostos e taxas para níveis "muito desconfortáveis, pondo em causa a próprio sustentabilidade económica da sociedade". O Bispo lembra que o poder de compra "desce todos os dias, ainda que, em geral, de forma silenciosa. As pessoas sofrem e aumentam os casos de pobreza, sendo, com frequência pobreza envergonhada."
D.Manuel diz que, apesar da população mundial ter aumentado, "há recursos materiais suficientes para todos" mas que, contudo, "não chegam é para manter hábitos de consumo material desajustados à realidade quer das necessidades verdadeiras das pessoas quer da disponibilidade dos bens criados. Por isso são já muitos os profetas da actualidade que pedem uma mudança de paradigma nos hábitos e nas práticas das pessoas e da sociedade. São poucos, porém, os que arriscam definir os caminhos desse novo paradigma." Mas o Bispo diz que o exemplo vem do presépio, com um menino, Jesus, que se contentou com as palhinhas de uma manjedoira e a companhia de alguns animais para berço do Seu nascimento, sob o olhar atento do Pai e da Mãe. Recomenda-nos sobriedade." Do presépio surge também o exemplo a alguém que aceitou passar pelo sofrimento e pela rejeição social, "desde o primeiro momento da sua entrada na história, porque não houve para ele lugar nas casas nem nas hospedarias, partilhando, assim, a sorte dos excluídos. Recomenda-nos a solidariedade." E por fim, o exemplo de um menino que nasceu no seio de uma família onde "reinava o amor incondicional e sem reservas entre marido e esposa; o amor total para aquele Filho; a procura de soluções e partilha de sofrimento nas horas difíceis – não foi fácil aceitar que o nascimento fosse numa gruta de animais, como não foi fácil a fuga para o Egipto ou a perda do Menino em Jerusalém nos tempos da sua adolescência. Esta é uma lição de família."
Para D.Manuel, hoje, "continuamos a precisar de famílias assim, assentes no amor e na fidelidade sem condições entre os esposos; famílias onde os filhos se sentem sempre bem acolhidos, amados e valorizados; famílias onde os idosos se sentem em casa e nunca abandonados; famílias que sejam verdadeiramente escolas de valores humanos e cristãos essenciais para a cidadania."
Por isso, diz, o Natal "é também festa da Família. Por isso pede novas atitudes da sociedade e das leis que a regulam para com a instituição familiar. De facto, assistimos a hábitos instalados de desprezo pela realidade da família, que só podem gerar sofrimento das pessoas e cada vez mais exclusão social."
Por fim, o Bispo da Guarda deseja que este Natal "seja, de verdade, nascimento de Jesus no coração e na vida das pessoas e instituições, incluindo a organização social que temos, para que a valorização das famílias, a sobriedade no consumo, a solidariedade dirigida à situação de cada um, na proximidade e atenção diárias sejam parte essencial da mudança de paradigma da nossa vida em sociedade tão apregoada nos actuais tempos de crise."
Autor
João Alves
Palavras-Chave
Guarda / Bispo / Mensagem / pessoas / famílias / Jesus / Natal / Belém / sociedade / família
Entidades
D.Manuel Felício / Jesus / D.Manuel / Recomenda-nos / Filho
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