Miguel, alcoólico, tem dormido à chuva, ao frio, numa casa em ruínas, sem cobertura. Serviços de Acção Social da Câmara da Covilhã acompanham o caso e encontraram há dias uma solução provisória, até lhe ser atribuída uma habitação
O odor fétido que se sente quando nos aproximamos anuncia a falta de salubridade em que tem vivido Miguel, de 48 anos, há cerca de sete sem um tecto permanente. A chuva dos últimos dias encharcou-lhe o colchão em que dormia. Uma vizinha deixou-o refugiar-se do frio gélido num sítio um pouco mais abrigado, onde o vento não pede permissão para entrar, mas o cheiro é bafiento e pútrido. À entrada, as batatas, parte do almoço, que costuma guardar para o jantar, bóiam dentro do recipiente que a chuva fez transbordar. No interior, dois sofás individuais entretanto oferecidos, encostados, são a cama onde vai passar a próxima noite, a alguma distância do chão, tapado por dois finos cobertores.
Miguel, colarinho encardido como tudo à volta e feridas em toda a parte visível do corpo, já teve uma vida normal. Um emprego estável, uma casa, esposa e um filho, a morar no estrangeiro e longe de saber as circunstâncias exactas em que o pai vive, até porque a relação entre ambos é superficial. Os problemas de alcoolemia, associados a uma série de infortúnios, atiraram-no para uma espiral descendente a que não percebe como chegou. Limita-se a encolher os ombros, como se não fosse possível sair do poço em que se encontra e voltar a estar num patamar de dignidade.
(Reportagem completa na edição papel)
Autor
Ana Ribeiro Rodrigues
Categoria
Secções
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Actualidade
Palavras-Chave
Miguel / chuva / alcoólico / ruínas / cobertura / viver / dormido / frio / Acção / Social
Entidades
Miguel / Ana Ribeiro Rodrigues
Artigo Preservado pelo Arquivo.pt
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